<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Saúde Mental &#8211; BlindTalk</title>
	<atom:link href="https://blindtalk.loadhtl.com/category/saude-mental/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://blindtalk.loadhtl.com</link>
	<description>— consultas de psicologia online</description>
	<lastBuildDate>Mon, 18 Sep 2023 16:16:43 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-PT</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.8.1</generator>

<image>
	<url>https://blindtalk.loadhtl.com/wp-content/uploads/2022/11/cropped-favicon-blindtalk-32x32.png</url>
	<title>Saúde Mental &#8211; BlindTalk</title>
	<link>https://blindtalk.loadhtl.com</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>Porque é tão importante cuidarmos de nós próprios?</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2023/09/13/porque-e-tao-importante-cuidarmos-de-nos-proprios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Micaela Jorge]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 Sep 2023 13:27:44 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=119206</guid>

					<description><![CDATA[É urgente abandonar o mito de que a procura de um psicólogo só deve surgir quando nada mais resultou — quando já tentámos conversar com aqueles que nos são próximos, já realizámos todos os rituais de autocuidado que lemos na internet, já seguimos todas as «receitas» dos outros, quando sentimos que já não aguentamos mais. É assustador perceber que muitas das pessoas que nos procuram em consulta só o fazem como recurso de «fim de linha».]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-parent="true" class="vc_row row-container" id="row-unique-0"><div class="row limit-width row-parent"><div class="wpb_row row-inner"><div class="wpb_column pos-top pos-center align_left column_parent col-lg-12 single-internal-gutter"><div class="uncol style-light"  ><div class="uncoltable"><div class="uncell no-block-padding" ><div class="uncont"><div class="uncode_text_column" ></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;">Já pensou que nos esquecemos, muitas vezes, de cuidar de alguém muito importante? Exatamente: de nós mesmos. Chama-se a isso «autocuidado».</span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;"><br />
O autocuidado envolve todas as atividades que, normalmente, escolhemos fazer e que ajudam a manter ou a melhorar o nosso bem-estar físico e psicológico, aumentando a nossa produtividade, a nossa energia, a nossa confiança e a nossa autoestima.<br />
Existem diferentes tipos de autocuidado? Claro. O autocuidado físico, como dormir, descansar, praticar atividade física, ter uma alimentação saudável; o emocional, que se baseia no auto-perdão e na autocompaixão, na coragem e na positividade; o social, que integra pedir ajuda, dar e receber, ser ouvido/a e ter relações saudáveis; e, por fim, o intelectual, que envolve meditar, desfrutar do silêncio, ler ou estudar. Por mais que façam parecer o oposto, o autocuidado é muito mais do que a nossa simples rotina matinal.</span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;">Na verdade, podemos associar ao autocuidado à nossa autoestima. Esta última é a imagem e a opinião, positiva ou negativa, que cada um tem e faz de si mesmo. Construída a partir das experiências pessoais, das emoções, das crenças, dos comportamentos, da autoimagem e da imagem que os outros têm sobre nós, a autoestima, assim como o autocuidado, desempenham um papel muito importante em diversas áreas das nossas vidas. Ter uma boa autoestima pode afetar não só a forma como cada um se sente e vê, como também a forma como o outro nos trata. E ter uma autoestima positiva motiva-nos a não duvidarmos, nunca, do nosso próprio valor.<br />
</span></p>
<p>
</div></div></div></div></div></div><script id="script-row-unique-0" data-row="script-row-unique-0" type="text/javascript" class="vc_controls">UNCODE.initRow(document.getElementById("row-unique-0"));</script></div></div></div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>O fim da linha</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2023/03/20/o-fim-da-linha/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Madeira]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 16:07:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=119243</guid>

					<description><![CDATA[É urgente abandonar o mito de que a procura de um psicólogo só deve surgir quando nada mais resultou — quando já tentámos conversar com aqueles que nos são próximos, já realizámos todos os rituais de autocuidado que lemos na internet, já seguimos todas as «receitas» dos outros, quando sentimos que já não aguentamos mais. É assustador perceber que muitas das pessoas que nos procuram em consulta só o fazem como recurso de «fim de linha».]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-parent="true" class="vc_row row-container" id="row-unique-1"><div class="row limit-width row-parent"><div class="wpb_row row-inner"><div class="wpb_column pos-top pos-center align_left column_parent col-lg-12 single-internal-gutter"><div class="uncol style-light"  ><div class="uncoltable"><div class="uncell no-block-padding" ><div class="uncont"><div class="uncode_text_column" ></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;">É urgente abandonar o mito de que a procura de um psicólogo só deve surgir quando nada mais resultou — quando já tentámos conversar com aqueles que nos são próximos, já realizámos todos os rituais de autocuidado que lemos na internet, quando já seguimos todas as «receitas» dos outros —, quando sentimos que já não aguentamos mais. É assustador perceber que muitas das pessoas que nos procuram em consulta só o fazem como recurso de «fim de linha».</span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;"><br />
Não quero com isto dizer que conversar, estabelecer relações significativas e procurar o autocuidado não possa ser algo positivo — é, inevitavelmente, algo que devemos ter sempre presente como passos necessários para a manutenção da nossa saúde psicológica.</span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;"><br />
É necessário que a psicoterapia passe a ser encarada também como ação preventiva e não apenas como última reação a momentos de crise, de tristeza profunda e de sofrimento psicológico.</span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;"><br />
E se for necessário usar a metáfora da linha, então que encaremos a consulta de psicologia como a linha condutora para chegarmos mais perto de nós, como a «linha de vida» que nos devolve a nós próprios em todo o nosso potencial. Que sejamos responsáveis por desatar os nós que encontramos, para chegarmos ao fim da linha do seu lado oposto — do lado onde estamos resolvidos e em paz.</span></p>
<p class="Standard" style="text-align: justify; text-justify: inter-ideograph; line-height: 150%;"><span lang="PT" style="font-family: 'Verdana',sans-serif;"><br />
Se está a ler este texto, e se sente a caminhar para o fim desta linha, pare. Não espere que cada passo seja insuportável. Estamos no início da linha, à sua espera, para caminharmos ao seu lado.</span></p>
<p> </p>
</div></div></div></div></div></div><script id="script-row-unique-1" data-row="script-row-unique-1" type="text/javascript" class="vc_controls">UNCODE.initRow(document.getElementById("row-unique-1"));</script></div></div></div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Como educar as crianças na era digital?</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2023/03/20/como-educar-as-criancas-na-era-digital/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Rute Barcelos]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 20 Mar 2023 15:01:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Família]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=118977</guid>

					<description><![CDATA[Vivemos numa era de absoluta desconexão, embora estejamos cada vez mais ligados e «conectados» através do universo online.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos numa era de absoluta desconexão, embora estejamos cada vez mais ligados e «conectados» através do universo online. Estamos a ser conduzidos para um estado de abandono pelo ritmo acelerado diário, pelo individualismo, por feridas internas de culpas, medos e raivas, por uma cultura narcísica e pelo hedonismo.</p>
<p>Estudos demonstram que a maior influência da felicidade humana é o afeto, o contacto, o abraço… O ser humano é dependente de relacionamentos, e o toque a cura para a alma.</p>
<p>Cada vez mais observamos um abandono de crianças, jovens e adolescentes que ficam horas diárias, dia após dia, em frente a um monitor.</p>
<p>Nós, adultos/pais, pensamos que os nossos filhos estão distraídos e que se divertem, quando, na verdade, por detrás desse comportamento, estão a distrair-se de uma dor, da falta de conexão, de contacto, de afeto, de familiaridade e direção.</p>
<p>O vício entra onde há uma dor, e as nossas crianças estão a pedir ajuda num grito silencioso. Por detrás de uma criança viciada no digital, há uma criança desesperada por ser cuidada.</p>
<p>Cuidar do outro é uma maneira de cuidarmos de nós. Por detrás da dificuldade de criar uma conexão real, de dar um limite, de preservar os seus valores, estão uma mãe e um pai fragilizados, que acabam por ter um posicionamento parental demasiado permissivo.</p>
<p>Muitas vezes, os pais querem ser «amigos» dos filhos, crendo que o seu papel é fazê-los felizes, acabando, eles próprios, perdidos. É importante o adulto fazer uma simples reflexão: «Estou a ser uma mãe/um pai que se respeita? Tenho orgulho na mãe/no pai que sou?»</p>
<p>A verdade é que é possível resolver duas questões numa só: o adulto, ao cuidar de uma maneira diferente do seu filho, vai aprender a cuidar de uma maneira diferente de si.</p>
<p>É importante entender a natureza e a essência do que um filho realmente precisa para se desenvolver plenamente. Se não entendermos as propriedades e características de um bom desenvolvimento da criança, o adulto perde-se.</p>
<p>De onde vem a nossa força vital? Vem de vínculos, de toque, de limites, de afeto, do sono… Se compreendermos esta natureza das necessidades humanas, conseguimos aceitá-las e comandá-las, ajustando-nos a uma vida mais saudável e equilibrada.</p>
<p>Educar é tudo aquilo que gera saúde ou crescimento nos filhos. Não é bater, castigar, gritar, ignorar, ameaçar. Filhos respeitam pais e mães que se respeitam. A partir do momento em que se torna necessário gritar, bater, castigar, gritar, ignorar, ameaçar, o adulto está a humilhar-se e a retirar autoridade. Educar é comunicação, presença, gestão, negociação, limites e afeto.</p>
<p>Portanto, educar os filhos na era digital é educar para uma mentalidade direcionada para a saúde, para um pensamento reflexivo que ajude o filho a desenvolver e a construir essa autonomia de pensamento.</p>
<p>O uso do monitor devem portanto, ser equilibrado. Dos <u>0 aos 6 anos</u> a criança não deve ter acesso a qualquer tipo de equipamento tecnológico. Nessa fase, precisa de brincar, pintar, saltar, correr, dançar. Deve ter sempre por perto um bloco de papel de desenho, canetas coloridas, plasticina e um jogo. <u>Depois dos 6 anos,</u> a criança pode ter acesso <u>30 minutos</u> por dia. <u>Dos 6 aos 12 anos,</u> deverá usar o digital de <u>30 minutos a 1 hora</u>. Após os <u>12 anos,</u> o jovem deverá usar <u>1 hora diária</u> no máximo.</p>
<p>Felicidade é uma construção diária de uma vida com valores, limites e amor. Há uma confusão entre prazer e felicidade e, por isso, muitas vezes acabamos por aceitar, dar, permitir, pagar, numa tentativa de encontrar atalhos para que o filho seja feliz a qualquer custo. Nesta tentativa, o valor do pai, da mãe, do adulto, acaba por ficar diminuto, porque ele próprio não se ouviu, deixando de dar crédito a si próprio e perdendo-se. Portanto, é mais do que necessário encontrar caminhos, referências, ajuda para recriar valores, regras, afeto e limites. É importante o adulto confiar em si, ouvir-se e decidir querer ser melhor, fazer melhor, aprender mais e entregar-se para uma mudança efetiva de mais felicidade e amor. Consigo mesmo — e com os seus.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>«Não contei a ninguém que venho ao psicólogo»</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2023/03/16/nao-contei-a-ninguem-que-venho-ao-psicologo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alexandra Caeiro]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Mar 2023 17:42:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=118961</guid>

					<description><![CDATA[Um em cada cinco portugueses sofre de uma doença mental (20% da população) e quase 65% das pessoas com uma perturbação psiquiátrica não receberam qualquer tratamento. Mas porque será que isto acontece? ]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-parent="true" class="vc_row row-container" id="row-unique-2"><div class="row limit-width row-parent"><div class="wpb_row row-inner"><div class="wpb_column pos-top pos-center align_left column_parent col-lg-12 single-internal-gutter"><div class="uncol style-light"  ><div class="uncoltable"><div class="uncell no-block-padding" ><div class="uncont"><div class="uncode_text_column" ><p>Um em cada cinco portugueses sofre de uma doença mental (20% da população) e quase 65% das pessoas com uma perturbação psiquiátrica não receberam qualquer tratamento. Mas porque será que isto acontece? Apesar de a pandemia do COVID-19 ter mudado a forma como a população portuguesa olha para a saúde mental, ainda existe um longo trabalho a fazer para desmistificar as crenças e os mitos associados.</p>
<p>Na minha prática clínica, tenho-me cruzado com algumas pessoas que não contam a ninguém que têm consultas de psicologia, pois têm receio daquilo que os outros possam pensar (ex.: «Estou maluco ou sou um fraco.»).</p>
<p>Quando estamos doentes, não achamos que é sinal de fraqueza procurar um médico; quando queremos emagrecer, não nos consideramos fracos por procurar um nutricionista; então, porque é que procurar apoio psicológico é sinal de fraqueza?</p>
<p>Em parte, isto acontece porque temos uma crença distorcida e generalizada de que devemos ser capazes de enfrentar tudo sozinhos e que qualquer sinal de fraqueza deve ser ocultado. Essa crença é-nos incutida logo na infância, através dos super-heróis que são capazes de enfrentar tudo e todos sozinhos. Negar uma fraqueza pode ser o primeiro passo para intensificá-la e se num dado momento necessitarmos de ajuda psicológica, isso não nos torna fracos e sem valor. Antes pelo contrário: é revelador da nossa coragem e força suficientes para expor as nossas emoções e sentimentos.</p>
<p>Todos nós, nalgum momento das nossas vidas, já passámos por momentos de crise. Nessas alturas, utilizamos os nossos recursos internos e externos para saber lidar com o que sentimos. Nessas alturas, as pessoas que nos rodeiam, como a família e/ou os amigos têm um papel muito importante para o nosso bem-estar. No entanto, em determinada situações, esse apoio pode não ser suficiente e aí é necessário recorrer a um técnico que tenha conhecimentos efectivos para contribuir para uma verdadeira ajuda especializada, que nem a família ou os amigos poderão proporcionar. No entanto, por vezes, quem chega ao acompanhamento psicológico traz consigo a crença de que o psicólogo é um ser com poderes mágicos, que irá fazer desaparecer, como por magia, todos os seus problemas. Não, o psicólogo não tem poderes mágicos e não vai resolver os problemas dos seus pacientes por eles, mas sim ajudá-los na viagem ao encontro do eu mais profundo, dando-lhes uma maior consciência de quem são e de como se relacionam consigo, com os outros e com o mundo que os rodeia, ajudando-os a resolverem as situações que lhes causam dor e sofrimento.</p>
</div></div></div></div></div></div><script id="script-row-unique-2" data-row="script-row-unique-2" type="text/javascript" class="vc_controls">UNCODE.initRow(document.getElementById("row-unique-2"));</script></div></div></div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Do olhar sobre si mesmo</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2023/03/16/do-olhar-sobre-si-mesmo/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Raquel Geraldes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 16 Mar 2023 17:24:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Psicoterapia]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=118955</guid>

					<description><![CDATA[Ao longo do nosso percurso de vida, raramente nos é proposto olharmos para nós próprios. Se recuarmos um pouco na história e na cultura ocidental, ainda mais difícil se torna encontrar exemplos de exercícios de autorreflexão, autoconhecimento ou autoinvestimento.]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<div data-parent="true" class="vc_row row-container" id="row-unique-3"><div class="row limit-width row-parent"><div class="wpb_row row-inner"><div class="wpb_column pos-top pos-center align_left column_parent col-lg-12 single-internal-gutter"><div class="uncol style-light"  ><div class="uncoltable"><div class="uncell no-block-padding" ><div class="uncont"><div class="uncode_text_column" ><p>Ao longo do nosso percurso de vida, raramente nos é proposto olharmos para nós próprios. Se recuarmos um pouco na história e na cultura ocidental, ainda mais difícil se torna encontrar exemplos de exercícios de autorreflexão, autoconhecimento ou autoinvestimento.</p>
<p>É assim compreensível que estes sejam exercícios pouco intuitivos para a grande maioria de nós. Quando procuramos um psicólogo, este é talvez o primeiro grande desafio: aprendermos a olhar para nós mesmos, com curiosidade, generosidade, aceitação e compromisso. Este exercício desafia-nos a posicionarmo-nos com distanciamento em relação aos nossos pensamentos, às nossas emoções e aos nossos comportamentos, o que se, por um lado, provoca estranheza e novidade, por outro, induz poder: o poder de escolher e de transformar.</p>
<p>A consciência dos nossos estados e processos mentais, emocionais e comportamentais é um <em>statement</em>, uma assunção de uma posição de poder sobre nós mesmos, que nos proporciona e impulsiona a uma autoria da nossa própria história.</p>
<p>Este é o resultado da psicoterapia. A pessoa que se envolve num processo psicoterapêutico torna-se progressivamente autora da sua própria história, reescrevendo, muitas vezes, a história que viveu até ao momento, com um olhar mais coeso e coerente com os seus valores e opções.</p>
<p>A disponibilidade e a flexibilidade para experimentar lentes e olhares são assim um requisito, mas que pode ser trabalhado e desenvolvido no contexto da própria psicoterapia. O conforto e a segurança deste espaço permitem a liberdade de pensamento e ação necessárias para que as opções se multipliquem e as decisões se gerem de forma espontânea e genuína.</p>
<p>Todas as competências, ferramentas e aprendizagens decorrentes do processo psicoterapêutico, sendo ele circunscrito (ainda que variável) no tempo, permanecem disponíveis para os futuros desafios de vida, contribuindo para uma coerência, autorrespeito e auto-amor diferenciadores e impactantes.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>* Psicóloga clínica</p>
<p>
</div></div></div></div></div></div><script id="script-row-unique-3" data-row="script-row-unique-3" type="text/javascript" class="vc_controls">UNCODE.initRow(document.getElementById("row-unique-3"));</script></div></div></div>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Ansiedade financeira</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2023/03/13/ansiedade-financeira/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Neves]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Mar 2023 17:28:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ansiedade]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=118949</guid>

					<description><![CDATA[Segundo a OMS, «a saúde mental é um estado de bem-estar mental, que permite à pessoa lidar com situações de vida stressantes, identificar as suas capacidades, aprender e trabalhar bem, assim como contribuir para a sua comunidade».

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Embora frequentemente dolorosa e perturbante, a ansiedade é essencial para a nossa existência, pois tem uma função de protecção. Um aviso, um alarme ou um lembrete são boas analogias. Se olharmos de uma óptica antropológica, terão sido os nossos antepassados que mais rapidamente identificaram e reagiram aos seus sinais de ansiedade, que não acabaram «no prato» de um leão, e é a essa ansiedade que devo agradecer a possibilidade que me deram de estar aqui a escrever sobre ansiedade.</p>
<p>A preocupação com o perigo ajuda-nos a controlar melhor os riscos e a procurar segurança. É uma perspectiva sócio-evolutiva, que nos ajuda a entender o fenómeno da ansiedade de um ponto de vista global. Ainda que para os nossos ancestrais sobreviver estivesse mais directamente ligado a viver ou não, na actualidade, felizmente, o perigo de vida não é tão eminente. Sendo mais frequente lidar com a sobrevivência de formas mais simbólicas. Estamos mais libertos dos imperativos existenciais, ficando mais espaço livre para a fantasia. A humanidade evoluiu, a sociedade organizou-se e o capitalismo instalou-se. Daí por diante, o dinheiro passou a simbolizar uma boa parte do perigo, adquirindo um simbolismo omnipresente nas nossas vidas. Associamos dinheiro a força, poder e, mais do que tudo, independência. O problema da dependência é um dos mais paradoxais na nossa vida. Queremos valer pelas nossas conquistas e pelo nosso valor individual, mas passamos os primeiros meses de vida dentro do útero de outra pessoa. Começar mais perto e dependente de outra pessoa não seria possível, e é essa mesma relação que começa por estabelecer os nossos ritmos — primeiro, fisiológicos; e depois, sociais.</p>
<p>É neste ponto que a relação com o outro é intermediada pelo simbolismo do dinheiro, pois ser independente numa sociedade organizada num sistema capitalista é, acima de tudo, ser financeiramente independente. A ideia é: «Se tenho dinheiro, sou forte, capaz e independente; se não tenho dinheiro, sou fraco, incapaz e dependente”.</p>
<p>Tudo isto se complica quando as ameaças a essa pretensa independência financeira podem não ser reais. Como tal, quando se trata de um estado ansioso, um teste de realidade é sempre a primeira coisa a fazer, e na ansiedade financeira não é diferente. Essa avaliação é complexa, pelo que um psicólogo é a pessoa mais indicada para ajudar a fazê-la. No caso de os motivos da ansiedade financeira serem reais e objectiváveis, como é frequente, o que um psicólogo pode oferecer é apoio psicológico, que consistirá na criação de um espaço relacional que possa ser usado para sentir e falar do seu medo e sofrimento, de forma acompanhada. Não há razão para não sentir o que é real, ainda que doloroso, e também não há necessidade de o fazer sozinho/a. Não sentir bloqueia o sintoma, que tem a função de alertar para o problema. E bloquear o sintoma apenas gera outro sintoma, e o problema lá continuará. Este contacto com o que a pessoa está a sentir pode ser crucial na gestão do sofrimento, permitindo controlar uma eventual subjugação do pensamento racional pela experiência emocional, bloqueando a pessoa e dificultando a possibilidade de encontrar soluções práticas.</p>
<p>Também é possível haver ansiedade relativa à vida financeira sem uma razão objectivável. Isto não significa, necessariamente, que estejamos perante uma patologia. Estas desadequações são comuns, ainda que igualmente desagradáveis e geradoras de sofrimento psicológico. De forma simplificada, é nas relações com pessoas significativas que desenvolvemos as matrizes que norteiam a compreensão do mundo à nossa volta.  Quanto mais importantes são essas pessoas, mais potente é a interiorização dessas matrizes, e o mesmo poderá ser dito para o período de desenvolvimento em que ocorrem: quanto mais cedo, mais força têm. Além de não podermos evitar a dependência desses outros para aprender a ver o mundo, também não podemos evitar aprender tanto as suas qualidades, como as suas dificuldades. Isto para dizer que ninguém nasce com ansiedade financeira, pelo que o que há a fazer nestas situações é ajudar a pessoa a libertar-se das matrizes interiorizadas nessas referidas relações anteriores, que moldaram o seu desenvolvimento, e promover a procura das suas próprias matrizes de leitura do mundo. Falo, naturalmente, de ajudar a encontrar a identidade da pessoa, a sua identidade dentro de uma dependência relativa, que é o máximo a que podemos almejar. Isto requer um trabalho em profundidade, normalmente associado a uma psicoterapia profunda, que ocorre de forma mais duradoura e consistente no tempo.</p>
<p>Concluindo, a ansiedade é uma característica humana especial, que contribui para a nossa sobrevivência, seja ela financeira ou não. Quando gera sofrimento e/ou impede a pessoa de seguir o seu próprio caminho, o melhor será consultar um/a psicólogo/a para perceber de que forma poderá beneficiar da psicologia.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Pedir ajuda é plural</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2022/12/27/pedir-ajuda-e-plural/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Neves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 27 Dec 2022 12:47:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Relação]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=118394</guid>

					<description><![CDATA[Para o Natal de 2022, a Vodafone Portugal preparou uma campanha cujo tema é a saúde mental. A campanha procura normalizar a partilha de sentimentos e a procura de ajuda psicológica, questões muito pertinentes e, como tal, com alvos essenciais de visibilidade por parte das marcas.
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Para o Natal de 2022, a Vodafone Portugal preparou uma campanha cujo tema é a saúde mental. A campanha procura normalizar a partilha de sentimentos e a procura de ajuda psicológica, questões muito pertinentes e, como tal, com alvos essenciais de visibilidade por parte das marcas.</p>
<p>Na Blindtalk, valorizamos todas as acções que possam chamar à atenção para estas questões, pois também são a razão do nosso projecto. No entanto, o tema é complexo e os anúncios de televisão são limitados na quantidade e qualidade de informação que conseguem partilhar, pelo que todo o esclarecimento é pouco, neste empreendimento que é a normalização da ajuda psicológica. Devo dizer que não sou o maior adepto da romantização destes temas. Percebo a tentação de «retirar peso» à mensagem, mas esta é mesmo pesada e, não raras vezes, contém uma linha que separa o viver do não viver. São necessários olhares concretos e objectivos e nunca, em momento algum, podemos deixar o curso destas problemáticas ao acaso.</p>
<p>Pedir ajuda é muito difícil e pode até parecer um beco sem saída: se não peço ajuda, posso ficar congelado na minha vida, mas, se penso em pedir ajuda, sou assaltado pelo medo de ser mal acolhido. Num processo tão delicado, todos contamos, pelo que me parece pertinente explorar alguns pontos fundamentais que podem — e devem — ser usados como orientadores desta experiência.</p>
<p>A premissa mais importante a compreender é a de que o sofrimento psicológico não é um problema individual. A dificuldade nasce sempre da relação interpessoal e é frequente que a procura de ajuda psicológica não aconteça devido às pessoas próximas. Estereótipos e informação errada acerca da saúde mental complicam algo que poderia ser simples. Mas, infelizmente, ainda são muito comuns comentários como «isso não é nada», «isso está na tua cabeça», «precisas é de te ocupar, vais ver que isso desaparece», «só não passas à frente, porque não queres», «isso são manias», «és fraco da cabeça», «és muito sensível»… a lista é interminável.</p>
<p>Preconceitos todos temos, mesmo quando não nos apercebemos deles. No fundo, esse é o resumo do problema da saúde mental: as pessoas pensam que só está na cabeça delas aquilo que conseguem pensar, e logo essa, que é a menor parte. Lembra-se daquela metáfora freudiana, que compara a mente à ponta de um icebergue? É muito <em>kitsch</em>, mas também é muito verdade. São esses preconceitos que eu desconheço em mim, que me impedem de incentivar alguém a procurar ajuda especializada com psicólogos, e receberem, assim, a ajuda adequada. As pessoas próximas estão, frequentemente, mais bem colocadas para se aperceberem de que algo de diferente se está a passar com alguém, embora não seja menos frequente a impossibilidade de notar alterações em quem está a sofrer. Infelizmente, para estas últimas são precisas medidas que não estão ao alcance de familiares e amigos, pelo que aqui me concentro no possível. Não é incomum que a pessoa em sofrimento negue o seu sofrimento. Isto pode acontecer por, pelo menos, dois motivos: a pessoa sabe que está mal, mas ainda não encontrou forma de falar nisso; ou, também frequente, a pessoa não se apercebe de que está mal, ainda que isso possa ser óbvio para as pessoas à sua volta. Qualquer dos casos pode ser muito frustrante para quem tem de lidar com o resultado da perturbação no quotidiano, até ao ponto de perguntar, repetidamente, «porque não pedes ajuda?». É neste ponto que proponho um exercício de empatia. Em boa verdade, se fez esta pergunta, é provável que nunca tenha estado numa situação-limite. Ainda bem. Mas eu não estaria a escrever para um ser humano se, quem me lê, não tiver experimentado em algum momento o sentimento de ira. Nesses momentos, conseguiu conversar? Pensar? Talvez tenha tido de esperar algum tempo. E como o tempo é subjectivo — e o tempo mental é diferente do tempo cronológico—, ficamos com a certeza de que cada um terá o seu tempo e que não há razão para que esse não seja respeitado. Será necessária muita paciência e encorajamento para que a situação se possa encaminhar da melhor forma.</p>
<p>Termino, propondo um segundo exercício, que estará equiparado a um acto de bravura. A pergunta a fazer a si próprio é simples: qual a minha contribuição para que aquela pessoa não consiga pedir ajuda? Posso dar uma ajuda para encontrar a resposta: se lidar com este tipo de situação sem crítica, sem acusações, sem insistência, sem julgamento, e respeitando o tempo da pessoa, poderemos afirmar, com relativa segurança, que não está a ser um impedimento para esse pedido de ajuda.</p>
<p>O caminho para entender o que se passa com outra pessoa passa, inevitavelmente, por nos conhecermos a nós próprios. Apenas nos podemos aproximar da experiência de outra pessoa se nos tentarmos colocar no seu lugar. É só uma aproximação, mas é muito valiosa para as duas pessoas envolvidas.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Sobre a saúde mental</title>
		<link>https://blindtalk.loadhtl.com/2022/11/22/sobre-a-saude-mental/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Gonçalo Neves]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Nov 2022 18:02:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Saúde Mental]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://blindtalk.loadhtl.com/?p=118122</guid>

					<description><![CDATA[Segundo a OMS, «a saúde mental é um estado de bem-estar mental, que permite à pessoa lidar com situações de vida stressantes, identificar as suas capacidades, aprender e trabalhar bem, assim como contribuir para a sua comunidade».

]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Segundo a OMS, «a saúde mental é um estado de bem-estar mental, que permite à pessoa lidar com situações de vida <em>stressantes</em>, identificar as suas capacidades, aprender e trabalhar bem, assim como contribuir para a sua comunidade».</p>
<p>A tradução é livre, mas a liberdade individual também é o objectivo final de qualquer assunto que envolva a saúde mental. No entanto, este objectivo é frequentemente perdido nos debates actuais, transformando o conceito de saúde mental numa falácia, que,  no fundo, a perturba. São várias as razões para que isto aconteça, frequentemente assentes em sistemas políticos, financeiros ou mesmo religiosos. Analisar cada um destes sistemas seria um exercício importante, mas igualmente extenso. O que pretendo aqui é focar-me nas dinâmicas mais básicas do nosso quotidiano, mais concretamente no tipo de comportamentos que apelidamos de absurdos, bizarros, incompreensíveis. Ao escaparem a uma compreensão mais imediata, fazemos aquilo para que o cérebro humano foi treinado ao longo da evolução humana: catalogar para tornar o estranho em algo familiar e, assim, reduzir a sensação de perigo, geradora do <em>stress</em> que perturba a homeostasia do organismo. Já todos ouvimos expressões como doença mental, perturbação mental ou mesmo psicopatologia. Todas elas formas de abordar a catalogação do desconhecido, apresentam-se como conjuntos de sintomas aos quais é dado um nome: depressão major, bipolaridade, esquizofrenia, etc. Da mesma forma que uma cabeça, dois braços, um tronco e duas pernas podem ser uma pessoa: todas as pessoas, portanto, pessoa nenhuma. Acresce ainda outro problema, consequente dessa homeostasia. É que esta é pessoal e não interpessoal, ou seja, uma procura constante de um equilíbrio individual, que só pode ser alcançado na relação interpessoal. Eis-nos chegados ao paradoxo da vivência quotidiana. Ou a uma explicação simplificada da dificuldade de viver. Nem todas as formas de sentir e viver são aceites pela sociedade e tão pouco como saúde mental. O problema é que quando há muitas pessoas a pensar o mesmo, corremos o risco de criar algo tido como verdade, mesmo que não o seja. Nada surpreendente, portanto, que os manuais de diagnóstico de perturbações mentais sejam estatísticos.</p>
<p>Ao longo da minha carreira de psicólogo, tenho tido a oportunidade de observar um denominador comum no mal-estar mental: a pessoa não foi alvo de um interesse genuíno. Não foi olhada com atenção, intenção e, mais importante do que tudo, sem ser enformada ou rotulada. As razões para não conseguirmos olhar o outro são mais do que muitas e não pretendo organizar um tribunal para atribuição de culpas. Afinal, o que está em causa é perceber o fenómeno, não catalogando uma pessoa de agressora e outra de agredida. Seria um exercício tão falacioso como o que estou aqui a tentar esclarecer. No entanto, há um ponto crítico: a capacidade de olhar para o outro como diferente de mim implica, em primeiro lugar, conhecer-me a mim próprio. Mas, para me conhecer a mim próprio, eu tive de ser, primeiro do que tudo, alvo do interesse de uma pessoa significativa. Podemos, assim, vislumbrar uma transmissão muda e normalizada entre gerações, que perpetua esse anonimato entre conhecidos. Se não me ensinaram a estar atento a mim próprio, e a entender o que se passa comigo, então como posso identificar e valorizar isso noutra pessoa?</p>
<p>Todo o mal-estar começa com uma queixa, comunicada de forma mais ou menos directa. Se essa queixa não for ouvida e atendida, vamos acumulando experiências interpessoais negativas. Com o passar do tempo, essas queixas serão, provavelmente, cada vez mais proeminentes, pois a necessidade também se adensa, aumentando o nosso mal-estar e amplificando a estranheza e a incompreensão dos outros. Isto pode afastar-nos cada vez mais do contacto com a realidade, deixando-nos enclausurados numa ficção, numa forma de criar uma realidade alternativa, que possa, ainda que de forma ilusória, responder às necessidades para as quais não encontrámos cuidados no meio envolvente.</p>
<p>O que acabei de tentar descrever é o resumo do resumo, e estou ciente de que arrisco uma sobre-simplificação. Mas antes das coisas complexas, estão as coisas simples e, no que toca a relações humanas, a base pertence às coisas simples. Também merece o risco tentar trazer ao debate público duas premissas maiúsculas da saúde mental:</p>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>A saúde mental só se alcança através das relações interpessoais.</strong></p>
<p>e</p>
<p><strong>Ninguém sabe mais sobre uma pessoa do que a própria.</strong></p>
<p>&nbsp;</p>
<p>Voltando ao início: para que exista esse tal estado de bem-estar mental, para que alguém possa lidar com situações de vida <em>stressantes</em>, para que alguém possa identificar (e aplicar) as suas capacidades, aprender e trabalhar bem, assim como contribuir para a sua comunidade, é impreterível que tenha sido alvo da curiosidade de um outro significativo, para que esse interesse lhe possa servir de espelho para se conhecer a si mesmo, e que esse auto-conhecimento lhe permita pensar a diferença entre si e os demais. Que, ao aperceber-se das diferenças, tenha curiosidade em conhecer o outro. Assim, poderá ser uma pessoa significativa para alguém, espelhando-o.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
